sábado, 28 de maio de 2011

Transtorno bipolar e psicoterapia

As pessoas que tem em casa um portador de transtorno bipolar sabem o quanto a convivência pode se tornar tensa. É um andar sobre ovos o tempo todo com medo de quebrá-los e desencadear uma crise. O bipolar adoece a família toda junto com ele. Não é simples conviver com alguém que em um momento está aparentemente feliz e eufórico e em outro momento está chorando,pensando em se matar ou tentando realmente tirar a própria vida.
O bipolar é sobretudo um manipulador pois, como não aceita ser contrariado, domina a todos e exige que tudo saia como ele deseja. Quando isso não acontece, dramatiza até que os outros cedam aos seus caprichos.
O transtorno bipolar é caracterizado por fases de mania,depressão ou fases assintomáticas. É um transtorno crônico que ocorre de forma isolada ou mista. O tratamento é realizado com o objetivo de manter o paciente sem sintomas. O paciente bipolar deve ser tratado pelo psiquiatra e pelo psicólogo concomitantemente. O psiquiatra tratará da remissão dos sintomas e o psicólogo atuará na redução dos sintomas de risco de recorrência, melhorando a adesão do paciente ao tratamento, propiciando pequenas e grandes mudanças no estilo de vida e nas dificuldades interpessoais.
Os principais objetivos do tratamento do paciente bipolar em psicoterapia são:

·      Adesão – fazer com que o paciente aceite o tratamento;

·      Funcionamento social e ocupacional – melhorar o desempenho do paciente em atividades sociais e laborativas;

·      Melhorar a detecção de sinais precoces de recorrência;

·     Conscientizar o paciente acerca de sua doença e suas medicações (explicar sintomas, esclarecer prognóstico,instalar esperança,envolver familiares);

·      Promover um estilo de vida saudável por exemplo regularizar ciclo de sono;

·     Criar formas de lidar com estress que, se não administrados apropriadamente, podem provocar episódio depressivo. 

O sofrimento dos familiares é sempre intenso e por este motivo todos os que vivem com o paciente devem ser tratados.  A possibilidade de suicídio é grande, por isso o tratamento deve ser buscado com urgência .

domingo, 15 de maio de 2011

Entenda o que é bullying

Trata-se de um termo utilizado para definir algumas atitudes agressivas, invasivas, intencionalmente repetidas. Estas atitudes causam dor emocional , angústia e até depressão. Geralmente são causadas dentro de escolas por um “colega” ou por um grupo de “colegas”  contra outro(s).
Sem nenhuma razão evidente, estabelece-se uma relação desigual de poder que pode durar anos caso a família os professores e a direção não se façam presentes.
Diversas atitudes podem ser consideradas bullying: apelidos humilhantes onde se ressaltam pontos fracos, xingamentos intimidadores, posturas de encarar para submeter,perseguir,assediar, aterrorizar, dominar, tiranizar, discriminar, fazer sofrer, agredir fisicamente com certa frequência...entre outras formas.
Geralmente acontece longe de adultos, dentro do ambiente escolar ou qualquer instituição onde se reúnam pessoas, especialmente jovens.
As crianças que sofrem bullying podem desenvolver complexos permanentes, baixa estima, inseguranças e medos que podem virar pânico.
Podem enfrentar problemas sérios de relacionamento em geral e se tornarem agressoras – praticantes também de bullying no futuro.
É comum também que entrem em um estado depressivo que necessite medicamentos. Em casos extremos podem levar ao suicídio. Com alguma freqüência assistimos adolescentes e adultos jovens que entram em suas antigas escolas atirando em todos pois se sentiram durante toda a vida escolar submetidos a esta agressão sob o olhar silencioso dos colegas e profissionais que atuavam ali.
Um adulto pode sim sofrer bullying pois este é um fenômeno humano,  no entanto,  um adulto já deveria ter mecanismos mais eficientes de defesa pois já tem sua personalidade formada e, se não souber como agir, saberá onde buscar ajuda. Já o adolescente esta em pleno processo de aquisição da identidade e o bullying o “pega” em cheio.
Os pais devem prestar muita atenção aos filhos pois o comportamento no dia a dia muda. O filho se torna mais calado do que o normal. Geralmente são crianças e adolescentes mais tímidos que podem demosnstrar-se mais agressivos com as pessoas que ele sabe que o amam – os pais.
Dificilmente os filhos contam que sofrem bullying aos pais, principalmente se os pais se mostram críticos demais com ele ou o contrário, inseguros demais.
Muitas vezes o jovem traz para casa meias-falas como: eu não tenho amigos...   Opa! Importe-se com esta fala, pode estar ai a ponta do novelo.
Caso os pais suspeitem que o filho esteja sofrendo ou praticando bulliyng devem pedir para ver o celular,orkut,facebook e outras formas de comunicação pois, a privacidade acaba quando existe alguém em risco.
Cabe a escola assumir o problema como real e passível de ocorrer em qualquer local,independentemente do nível sócio econômico, crença ou raça. Portanto, deve responsabilizar-se por uma filosofia de valorização das diferenças, de pacificação, através de projetos sociais solidários, valorização da auto-estima dos alunos e uma prática diária de respeito ao ser humano.
Deve também estar atenta para o relacionamento interpessoal dos alunos e a forma de tratamento estabelecida entre eles. Só assim, de perto, será possível perceber e coagir a tempo esta prática devastadora.
Para os que sofrem ou sofreram bullying o tratamento é sem dúvida a  psicoterapia. Inaginar que o tempo cura é uma irresponsabilidade. Atrás do bullying existem outras milhares de características a serem tratadas e os pais não devem se imaginar extremos conhecedores de seus filhos porque isso quase nunca é verdade. O bullying deve ser tratado por um profissional e não apenas com o carinho dos pais.
Na psicoterapia será possível ajudar o jovem a se conhecer, se fortalecer e aprender a lidar com o que passou e o que possa vir a acontecer. O ideal aliás seria que, quando os pais observassem que seus filhos são frágeis para o convívio social pois não lidam bem com disputas, sentem-se frequentemente inferiores e se desvalorizam sem razão aparente, levassem-no imediatamente a um terapeuta.

Silvia Barros – psicóloga,pedagoga,psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais. Faz orientação profissional com jovens e ministra palestras em escolas e empresas há dezenove anos.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Com que olhos você vê seus alunos?

“Professor, trate de prestar atenção no seu olhar.
Ele é mais importante que seus planos de aula.
O olhar tem o poder para despertar ou intimidar
a inteligência. O olhar tem um poder bruxo!”
Rubem Alves.

Conseguimos enganar com nossas roupas, com nosso modo de falar, com um sorriso amarelado, mas com os olhos, NUNCA!
Os olhos revelam nossas íntimas intenções, mesmo sem querer. Eles dizem por nós aquilo que não conseguimos ou não queremos dizer.
A criança lê o professor inteiro, ela percebe as nuances de seu modo de ser e dizer, ela sente muito mais que nós, “adultos”.

O professor precisa se desvincular da idéia de que as crianças aprendem o que ouvem e o que ele deseja que elas aprendam, pois a aprendizagem se dá pelos poros, pelos órgãos dos sentidos, nossos cinco sentidos ou seis talvez...
A criança aprende pelos cheiros que sente, pelo sabor amargo ou doce que as aulas lhe despertam, pelo som agradável que pode ser a voz do professor, pelo que seus olhos parabólicos podem captar de beleza naqueles ensinamentos que fazem sentido e dão significado as coisas de seu pequeno mundo infantil. A criança aprende pelo tato quando tocada por mãos carinhosas e sinceras daquele que sabe que o corpo é tão ou mais importante que a cognição. A corporeidade é algo que deveria ser melhor estudada pelos pedagogos. Aquilo que se vivencia possui outro significado, torna-se inesquecível...

No corpo, imprimem-se marcas profundas de amorosidade ou rejeição, de aproximação ou negação. O professor deve cuidar também de seu corpo, de perceber que linguagem seu corpo “fala” e de como ele fala. Da coerência necessária entre O QUE se diz e COMO se diz.

A criança admira seu mestre, deseja ser como ele, ser filho(a) dele, ser visto(a) e querido(a) por ele. O professor passa, mesmo sem querer, um modelo de como ser homem e mulher, como se comportar, como falar, como construir o papel de gênero de seus pequenos. É uma responsabilidade imensa, um desafio, uma verdadeira opção de vida!

Quem se propõe a trabalhar com gente, quem escolhe esta grande responsabilidade de ser modelo na formação do caráter, da personalidade, da sexualidade, do prazer, do conhecimento e da ética, deve cuidar do próprio equilíbrio, observar sua postura, sua maneira de se comunicar, suas convicções, seus preconceitos, seus tabus. Tem que se rever, se transformar, se reconstruir mil vezes...


Os olhos não são somente peças anatômicas em si, são vivos, falam por si, denunciam, alardeiam o que se passa no íntimo – os olhos são escandalosos, verdadeiros, debochados, escancarados, poderosos...

Cuidar dos olhos e do olhar é cuidar do EU. Só podemos cuidar dos outros se primeiro cuidamos de nós, porque ninguém doa o que não possui.

Ser educador é estar atento ao que ocorre de mais íntimo e silencioso na troca de olhares entre professor e aluno, é decodificar o código do sentir, é nunca deixar que a rotina ofusque o brilho deste encontro.

As melhores lembranças que carregamos da fase escolar não se relacionam com o aprendizado do teorema de Pitágoras, com fração, com raiz quadrada, com adjetivos, substantivos e verbos, com mmc, com a Revolução Farroupilha, com densidade demográfica ou fotossíntese. As melhores recordações se relacionam com o jeito doce de um educador, com as palavras duras e firmes no momento certo, com a capacidade de doação, com o desejo de ensinar à todos, com o cheiro da sala de aula , com o cheiro do professor, da escola... As melhores lembranças são afetivas, são emocionais, são sutilezas e delicadezas cotidianas que fizeram toda a diferença.

E, fazer a diferença neste campo tão bombardeado por burocracias e cansaço, é a verdadeira missão dos educadores, encantadores de almas, formadores de inteiros, donos de olhares que enfeitiçam como bruxos os corações que nele confiam.
Portanto futuros educadores, cuidem de seu olhar, cultivem o afeto e não percam a noção que ensinar é como fazer sexo, se faz a dois, é preciso aquecimento, é necessário haver química e com amor é muito melhor!